Todo caminhoneiro precisa saber como calcular o custo do KM rodado de um caminhão. Esse cálculo é importantíssimo para planejar-se financeiramente, levantando os reais custos de operação e tendo a exata noção sobre as suas margens de lucro. Sem essa conta, o caminhoneiro pode perder dinheiro sem saber para onde ele está indo.

Esse é um dos motivos pelos quais tantos freteiros têm dificuldades financeiras. Ao não considerar o total gasto por KM rodado, o valor cobrado pelos serviços pode estar baixo demais para as suas capacidades. Por outro lado, deixa, também, de entender melhor os seus custos para poder administrá-los e, assim, aumentar o seu lucro.

Por isso, neste artigo, mostraremos um passo a passo para o cálculo do custo real da rodagem de um caminhão. Se você é profissional autônomo e quer deixar para trás as dificuldades financeiras, não deixe de ler!

Benefícios de calcular o custo do KM rodado

Como já dissemos fazer o cálculo do custo do KM rodado é importante para o caminhoneiro autônomo saber se não está tendo prejuízos com o valor cobrado em seus fretes. Ao calcular todas as variáveis de gastos da operação e da perda de patrimônio, o profissional possui uma clareza maior sobre as suas despesas, mesmo daquelas menos aparentes.

Também é um meio de conhecer melhor os seus custos e entender quais são os grandes vilões para a sua lucratividade. Se um caminhão está dando despesas excessivas em manutenção ou consumo de combustível, por exemplo, pode ser uma boa hora para a troca do veículo.

Mas como calcular o custo do KM rodado de um caminhão? A seguir, mostraremos um passo a passo para ajudar você nessa tarefa. Confira!

1º Passo: Calcule os custos fixos

Os custos fixos são aqueles que se mantêm por um período de tempo sem mudanças, não importando se o veículo está parado ou em serviço. Entram nesse cálculo os impostos, o prêmio do seguro do caminhão, entre outros. Abaixo, vamos falar um pouco sobre os principais custos fixos e mostrar como calculá-los.

Impostos

São os impostos como o IPVA (imposto sobre a propriedade do veículo), o DPVAT (seguro obrigatório), o Licenciamento e quaisquer outras taxas públicas obrigatórias para a prestação dos serviços pagas diretamente pelo caminhoneiro (como taxa de inspeção veicular ou ambiental).

Cobrados, na maioria das vezes, anualmente, o montante pago em impostos deve ser dividido por 12 ou pela quantidade de meses da periodicidade (se pago a cada seis meses, divide-se o valor por seis), para poder obter seu custo mensal. Por exemplo:

IPVA: R$ 4.500,00 anual, dividido por 12 resulta em um valor de R$ 375,00 mensais.

Seguro do caminhão

Com o prêmio do seguro do caminhão, valor pago à seguradora anualmente por seus serviços, o mesmo cálculo deve ser feito, dividindo o valor total de cada contrato por 12. Se o caminhoneiro optou pela chamada “proteção veicular” de uma associação, o valor já é mensal e não precisa ser dividido.

Depreciação do veículo

É o valor da perda patrimonial com o desgaste do veículo e sua desvalorização no mercado. Para saber o custo da depreciação do caminhão, o caminhoneiro pode conferir, anualmente, o seu preço médio de mercado por meio da tabela Fipe e calcular as diferenças. Veja um exemplo:

Scania R-440 A 4×2 Highline E5 ano/modelo 2015:

  • valor em setembro de 2016: R$ 313.577,00;

  • valor em setembro de 2017: R$ 291.781,00;

  • custo da desvalorização: R$ 21.796,00.

Assim, conforme o exemplo acima, o caminhão teve um custo de R$ 1.816,33 mensais no período de um ano.

Além da desvalorização de mercado, é preciso somar os gastos fixos com revisões, se houver. Ou seja, se o veículo, independentemente de suas condições, passa por uma revisão a cada três meses, o valor do serviço deve ser dividido e somado ao da desvalorização.

Outros custos fixos

Se houver outros custos fixos para o negócio, eles devem ser somados no cálculo também. Nesse caso, entram os valores pagos para o rastreamento do veículo e planos fixos de telefonia celular para o uso de GPS, por exemplo.

2.º Passo: Calcule os custos variáveis

Os custos variáveis são os que oscilam de acordo com o uso do caminhão. Ou seja, evoluem proporcionalmente à quantidade de KM rodados e serviços prestados. Veja, abaixo, os mais comuns custos variáveis de um caminhoneiro.

Manutenção preventiva

A manutenção preventiva do caminhão acontece com as trocas de componentes recomendadas pela fabricante do veículo. A vida útil das peças é calculada com base em KM rodados. Assim, quanto mais o caminhão trabalha, maior será a necessidade de substituições e maiores as despesas.

Estão inclusos nos custos de manutenção preventiva as substituições de peças de desgaste (como pastilhas e lonas de freio, correias e coxins), filtros, rolamentos, suspensão, velas e bateria, e serviços de alinhamento e balanceamento de pneus, troca de óleo e fluido de arrefecimento, por exemplo.

Pneus

Recomenda-se calcular os custos com pneus à parte da manutenção preventiva, pois apresentam um desgaste incomum, que varia bastante conforme o uso, a conservação e as condições das vias. Assim, deve-se dividir a despesa com cada troca de pneus pela quantidade de meses de duração dos itens substituídos. Ou seja, se o par de pneus dianteiros rodou por dez meses, o valor da troca será dividido por dez e somado às despesas de cada mês.

Combustível

É importante ter o controle de todos os gastos com combustível do caminhão, pois eles representam uma grande parcela dos custos por KM rodado. Guarde todas as notas e cupons fiscais e some o montante de cada mês separadamente.

Gastos com pedágios

O mesmo procedimento deve acontecer com os pedágios. Guarde os comprovantes de pagamento e some os valores gastos durante o mês.

Despesas diversas de viagem

Despesas necessárias para concluir as viagens como hotéis, pontos de parada e restaurantes também devem ser incluídas. Afinal, sem elas, seria impossível prestar o serviço e, portanto, são relacionadas ao custo do KM rodado. Devem ser somadas ao longo do mês.

3.º Passo: Calcule o custo do KM rodado

Agora que você já sabe os seus custos mensais, é preciso somar a quantidade de KM rodado em um determinado mês. Esse valor será o divisor para o custo levantado para aquele mesmo período. Vamos a um exemplo para ilustrar:

  • custos no mês de fevereiro de 2017: fixos de R$ 15.000,00 e variáveis de R$ 20.000,00;

  • total de KM rodado no mês de fevereiro de 2017: 10.000 km;

  • custo por KM no período: R$ 35.000,00 divididos por 10.000 km é igual a R$ 3,50 por KM rodado.

Com esse cálculo, fica mais fácil conferir se o valor cobrado por KM para um frete está cobrindo os seus custos e, principalmente, se está dando lucro suficiente para pagar as suas contas pessoais e manter a qualidade de vida de sua família.

Como vimos, é de extrema importância para um caminhoneiro autônomo saber como calcular o custo do KM rodado de um caminhão. Esse cálculo permite que o profissional conheça melhor os seus números e coloque preços justos em seus serviços. Além disso, facilita identificar itens com custos em excesso para que o caminhoneiro possa administrá-los e, assim, aumentar os seus lucros.

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