Todo caminhoneiro precisa ter cuidado com os custos de suas operações para poder cobrar um preço competitivo pelos fretes e não sair no prejuízo. Isso significa reduzir os gastos com as viagens e minimizar as perdas com a depreciação do caminhão.

A depreciação do veículo, inclusive, é um dos principais custos de quem trabalha rodando as estradas, embora muitos profissionais se esqueçam de considerá-la. Em razão disso, não percebem a redução no valor do seu patrimônio que ocorre dia após dia de trabalho. Essa perda financeira, vale lembrar, não retorna em uma futura venda. Ou seja, a depreciação do caminhão é um valor perdido.

Portanto, se você quer evitar o prejuízo do seu patrimônio e aumentar as suas margens de lucro em cada frete, é preciso tomar certos cuidados. Mas quais são as ações que contribuem para a redução precoce do valor de revenda do seu veículo? É isso que vamos descobrir neste post! 

O que é depreciação do caminhão?

A partir do momento que ele é retirado da concessionária, já começa a sofrer desvalorização, passando de novo para usado. Não bastasse, com o uso e o passar do tempo, ocorre o desgaste natural das peças, que pode ser maior ou menor dependendo do cuidado do proprietário.

Esse desgaste contribui para a estimativa de seu valor, ficando mais evidente no momento de uma venda, por exemplo. O preço colocado no bem leva em consideração todos esses fatores. A diferença do montante pago na compra, para o valor de uma hipotética revenda, é o maior indício de sua depreciação.

Para um caminhoneiro, a depreciação é sinal, também, de perda de eficiência e de desempenho, tornando as viagens mais caras e demoradas. Por outro lado, é um custo que será cobrado no momento em que for preciso a substituição do “bruto” e, mais ainda, em cada parada para manutenção corretiva de eventuais problemas. Os consertos se tornam mais caros por conta do maior desgaste, sendo que esse gasto não agrega valor ao patrimônio.

Assim, é essencial calcular esse custo e dilui-lo no valor cobrado pelos fretes. Dessa forma, evita-se que haja prejuízos tanto no momento da troca como durante todo o período em que o caminhão está em uso e precisa de manutenções.

Dito isso, para que o preço de seus fretes continue competitivo e sua lucratividade possa até aumentar, listamos a seguir 11 fatores que mais contribuem para aumentar a depreciação de seu caminhão:

1. Não realizar as revisões na concessionária

Desde o momento da compra de um caminhão novo, é preciso seguir à risca a programação de revisões recomendada pela fabricante do veículo. Esses serviços são realizados na concessionária autorizada, e servem para manter as condições de fábrica de desempenho e eficiência.

Esse é, portanto, o primeiro passo para a conservação adequada do caminhão e fará toda a diferença diminuindo o desgaste natural do uso. Com as revisões, problemas mecânicos são evitados ao corrigir pequenas falhas e dar início à manutenção dos componentes.

É importante mencionar que a concessionária é o local mais preparado para cuidar do seu caminhão, porque o estabelecimento possui um vínculo direto com o fabricante do veículo, o que significa que as melhores práticas, os melhores componentes e os profissionais mais capacitados estarão à disposição para garantir o correto funcionamento do pesado.

Para se ter uma ideia do valor que realizar as revisões em uma concessionária representa, os veículos que possuem a comprovação de realização  — o que geralmente é feito a partir dos carimbos e selos fixados no manual — são mais valorizados e passam maior confiança ao comprador, pois a procedência da máquina é garantida.

2. Uso de peças paralelas

Na manutenção do caminhão, é importante utilizar somente peças originais. Elas foram aprovadas pela fabricante do veículo, que o projetou para funcionar em conjunto com os parâmetros de cada peça.

Assim, usar peças paralelas aumenta a probabilidade de problemas mecânicos, pois, por não terem as mesmas especificações das originais, aumentam o desgaste nos outros componentes do caminhão. Além disso, sua qualidade não foi testada e, portanto, o risco de quebras e de acidentes é maior.

Utilizar peças não genuínas é, sem dúvida, dar margem para que falhas ocorram no veículo. Em geral, mesmo componentes simples, de baixo custo, quando de qualidade inferior, podem causar problemas em outros sistemas muito mais complexos, caros e importantes.

Logo, se o seu objetivo é ter um caminhão durável, com baixa depreciação e menos suscetível a te deixar na mão, faça o possível para que somente peças originais sejam utilizadas.

3. Falta de manutenção preventiva

Entenda uma coisa, amigo caminhoneiro: a manutenção preventiva é mais barata do que a corretiva. Em outras palavras, cuidar do pesado, realizando revisões e checagens periódicas, ainda que tudo pareça estar funcionando perfeitamente, é muito mais econômico do que deixar as falhas acontecerem ou uma peça quebrar e apenas lidar com isso depois que já aconteceu.

A manutenção preventiva é, talvez, o cuidado mais importante para manter a valorização do veículo — isso porque evita problemas precoces ou que pequenas falhas se estendam para outros componentes, causando mais danos e gastos. Só isso já contribui para diminuir a depreciação, pois o gasto com as correções não acrescenta valor ao patrimônio e, portanto, quanto menores, melhor.

É importante reforçar, ainda, que um caminhão usado e bem cuidado é mais valorizado no momento da venda. Afinal, quem não estaria disposto a pagar um pouco mais para ter a certeza de que está adquirindo um veículo de boa procedência, bem conservado e que não trará dores de cabeça no futuro? Esse é o pensamento!

4. Uso extremo do veículo

O uso extremo é caracterizado pelo abuso nos limites do veículo. Assim, transportar cargas com peso acima do que é recomendado pelo fabricante, enfrentar áreas alagadas, trechos de subidas íngremes com frequência ou vias não-pavimentadas em péssimo estado de conservação, são alguns dos exemplos de uso extremo.

Nesses casos, os componentes do veículo precisam trabalhar em uma condição para a qual não foram projetados, o que aumenta o seu desgaste, levando a uma depreciação maior de todo o conjunto.

Assim, o melhor a fazer é evitar esse tipo de prática, respeitando sempre o limite do seu caminhão. Muitas vezes, a necessidade de lucrar um pouco mais faz com que motoristas excedam o limite de carga, abusem da velocidade e forcem o caminhão. Porém, é preciso lembrar que, com o tempo, os prejuízos dessas atitudes aparecem e um deles é o desgaste excessivo de peças e a depreciação antecipada — tudo que você não quer para o seu caminhão, não é mesmo?

5. Direção ofensiva

A direção ofensiva não deixa de ser uma forma de uso extremo também. As acelerações altas, as freadas bruscas, a falta de distância mínima de segurança, entre outros, forçam os componentes do caminhão, desde o motor, transmissão e embreagem, até a suspensão, os freios, o sistema elétrico e o de exaustão.

Assim, dirigir ofensivamente aumenta o desgaste das peças e o risco de acidentes e colisões que, como já vimos, contribuem para a depreciação. Por isso, o caminhoneiro, para baixar os seus custos e diminuir a depreciação, deve adotar uma postura defensiva, sempre tomando cuidados preventivos para ver e antecipar os problemas no trânsito.

6. Deixar o veículo sujo

Pouca gente sabe, mas a sujeira, além de dar uma aparência ruim para o caminhão, contribui para a sua depreciação. Isso acontece porque a poluição, tanto a vinda pelo ar como vinda pelas chuvas, possui elementos que queimam a pintura, causando manchas. Outro problema para a lataria são os dejetos de aves.

Já a terra grudada, a areia e o sal de regiões litorâneas, e a água suja de poças contribuem para a corrosão na lataria e das peças mecânicas, pois comprometem sua lubrificação. Além disso, ressecam partes plásticas e de borracha como retentores e anéis de vedação. Portanto, lavar o caminhão com frequência e trocar sempre a lubrificação das partes em atrito é fundamental.

7. Não arrumar pequenas batidas

Pequenas batidas e amassados deixam a lataria exposta por romperem a proteção do esmalte da pintura e podem interferir no funcionamento de algum componente importante, aumentando o seu desgaste.

Além disso, marcas de colisões, mesmo que pequenas, desvalorizam o caminhão, pois um eventual comprador pode ficar com medo de que a estrutura do veículo tenha sido afetada. O melhor, então, é consertar as batidas logo quando possível.

A depreciação de caminhão é um dos maiores custos do trabalho de um caminhoneiro. Ela acontece no dia a dia pela ação do tempo, mas também é influenciada pelos cuidados que o proprietário tem com o veículo. Portanto, para ter um custo menor com a depreciação e aumentar as suas margens de lucro, é preciso conhecer os principais fatores que a influenciam e tomar atitudes para evitá-los.

8. Não dar a devida atenção aos pneus

Os pneus são itens de grande importância quando o assunto é a segurança e desempenho de um caminhão. Porém, esse também é um elemento fundamental quando se fala em depreciação, especialmente no momento de vender o veículo.

Ao colocar seu caminhão à venda, um dos cuidados essenciais que se deve ter é avaliar as condições dos pneus — isso porque esse certamente será um dos primeiros componentes analisados pelo comprador.

Na maioria dos casos, ao se deparar com um caminhão com os pneus desgastados e em mau estado de conservação, o possível comprador tende a depreciar o veículo em um valor superior até ao que ele gastaria para substituir os pneus.

Desse modo, para não prejudicar a sua venda e nem gerar desvalorização no seu bruto, antes de colocá-lo à venda confira as condições de todos os pneus, inclusive os estepes. Por mais que você tenha que gastar para fazer a troca, no final das contas, a desvalorização evitada pode compensar os custos e garantir uma venda mais justa.

9. Não se preocupar com o mercado de caminhões

Além das informações já mencionadas, outro quesito muito importante, porém esquecido por grande parte dos profissionais do trecho, é o mercado de veículos pesados. Apesar de essa aparentar ser uma medida complicada, acompanhar as novidades sobre os caminhões não é nenhum bicho de sete cabeças, ainda mais com a internet e tantos outros meios de informação.

O ponto a que queremos chegar é mostrar a você a importância de conhecer o nível de desvalorização do seu caminhão. Nesse sentido, cada marca acaba apresentando características próprias. As fabricantes mais renomadas e conhecidas por todos os motoristas por sua confiabilidade, desempenho e tecnologia certamente possuem um potencial de desvalorização muito menor do que quando comparadas a outras marcas menos populares.

Sendo assim, fica claro que a escolha certa na hora de adquirir um caminhão também acaba sendo um fator que afeta positiva ou negativamente a depreciação. A dica, então, é sempre buscar as marcas mais conhecidas e os modelos de grande aceitação no mercado, pois esse é um grande indicativo de que o produto tem uma qualidade superior e sofrerá menor desvalorização.

10. Não redobrar os cuidados com o caminhão conforme for ficando mais velho

Um erro muito comum e grave entre os proprietários de caminhões é ir perdendo o interesse e o cuidado conforme a máquina vai envelhecendo. Enquanto novo, sempre existe aquele entusiasmo e satisfação por ter conquistado um veículo que sempre quis. Porém, conforme o tempo passa, a quilometragem aumenta e as manutenções vão ficando mais frequentes e caras, então a empolgação com o pesado reduz bastante.

Esse tipo de comportamento é totalmente inadequado, principalmente porque é nessa hora que se deve redobrar os cuidados com o caminhão. Um veículo mais rodado, em razão do desgaste natural das peças, exige uma atenção especial, pois muitos componentes podem estar chegando ao fim da sua vida útil e necessitam ser substituídos.

Deixar essa realidade de lado certamente aumentará a depreciação do seu bruto, que sofrerá com mais problemas, poderá te deixar na mão e será bastante desvalorizado no momento da venda.

11. Não se preocupar com a depreciação

Não há fator que contribua mais para a depreciação do caminhão do que um dono que não se preocupa com esse fenômeno. Quando esse é o caso, grande parte dos tópicos listados anteriormente não são observados.

Por exemplo, um motorista que não se importa com a depreciação do veículo, pouco se preocupará em conduzi-lo de forma defensiva, sem forçar os componentes e utilizando corretamente cada um dos sistemas do caminhão.

Além disso, proprietários com essas características também não se importarão com medidas essenciais, como é o caso das revisões periódicas na concessionário e realização de manutenções preventivas. Pelo contrário: será um grande adepto das manutenções corretivas, realizadas só em último caso, quando há a falha total da peça, exigindo a sua substituição.

Por fim, a dica que passamos é para que você sempre se lembre da depreciação do caminhão como um fator importante a ser considerado e que afeta diretamente o seu bolso. Assim, você certamente dirigirá de forma mais prudente e eficiente, além de adotar todas as medidas necessárias para prolongar a vida útil e a valorização do seu pesado.

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