Se você está pensando em entrar para o ramo do transporte rodoviário de cargas, saber quanto custa ser caminhoneiro no Brasil é importante para calcular quanto é preciso investir no início da carreira.

Além disso, ter conhecimento sobre os custos auxilia no planejamento financeiro e pode ajudar o motorista a tomar uma decisão importante: afinal, é melhor ser autônomo ou trabalhar como empregado?

Confira neste post os principais custos para se tornar caminhoneiro e saiba quais são as possibilidades de rendimento.

Boa leitura!

Quanto custa a habilitação para caminhoneiro?

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece que, para conduzir veículos pesados de carga, é necessário estar habilitado nas categorias C, D ou E. Cada uma dessas categorias da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) permite conduzir caminhões de determinadas características.  Veja a seguir as diferenças.

Categoria C

A CNH de categoria C habilita o motorista a conduzir veículos de transporte de carga com peso bruto total acima de 3.500 quilogramas. No entanto, o peso bruto total da unidade acoplada (como o reboque ou semirreboque) não pode ultrapassar 6 toneladas.

Categoria D

A categoria D dá direito a conduzir veículos de transporte de passageiros com mais de 8 lugares. Segundo o Departamento de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran-RS), pela prevalência das categorias, o habilitado D pode conduzir veículos da categoria C e ainda transportar produtos perigosos.

Categoria E

A categoria E autoriza o condutor a dirigir combinações de veículos com uma unidade tracionada de peso bruto total maior que 6 toneladas ou com mais de uma unidade acoplada. Esse motorista também pode, segundo o Detran-RS, conduzir veículos das categorias B, C e D, além de cargas perigosas.

Custos das habilitações

O custo para a mudança de categorias da CNH varia por estado. Em São Paulo, por exemplo, o custo inicial é de R$ 261,51 e inclui taxas do Detran-SP, exame médico e avaliação psicológica. Fora isso, é necessário contratar aulas práticas junto a uma autoescola. O valor total dessas aulas pode chegar a R$ 1.500,00.

Para habilitar-se nas categorias C, D ou E é obrigatório, ainda, realizar um exame toxicológico. O preço varia de acordo com o laboratório escolhido mas, geralmente, custa a partir de R$ 300,00.

Quais são as principais despesas de um caminhoneiro?

Conhecer as principais despesas da profissão possibilita ao estradeiro calcular o valor mínimo que um frete deve pagar para compensar o custo do quilômetro rodado. Além disso, é preciso dar lucro suficiente para que o profissional e sua família tenham uma boa qualidade de vida.

Em novembro de 2015, a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) realizou uma pesquisa para levantar dados sobre o ramo no Brasil. Baseados nela e em outros estudos específicos, calculamos os principais custos de um caminhoneiro para que você conheça melhor a profissão. Veja, abaixo, quais são eles.

Combustível

De acordo com a CNT, os caminhoneiros autônomos gastavam, à época da pesquisa, uma média de R$ 6.485,55 por mês em combustível. Com os aumentos dos preços nos últimos anos, esse valor, certamente, está maior. Em 2015, o litro do diesel custava, aproximadamente, R$ 2,50. Já em fevereiro deste ano, a média no país era de R$ 3,40.

Pedágios

Estima-se que o brasileiro gaste com pedágios, em média, R$ 8,77 a cada 100 quilômetros. Como os caminhoneiros autônomos rodavam, segundo o estudo da CNT, uma média de 9.344,7 quilômetros por mês, o gasto seria de R$ 819,53 mensais por eixo.

Manutenção

De acordo com os dados da CNT, à época da pesquisa, um autônomo fazia em média 5,4 revisões por ano e gastava com cada uma R$ 1.921,82. Assim, tinha uma despesa de R$ 864,82 ao mês. Mas esse valor pode diminuir se o caminhoneiro fizer a manutenção preventiva, pois ela fica em torno de 40% mais barata do que a corretiva.

Depreciação do caminhão

A depreciação é a perda de valor do veículo desde a compra até a data atual. Utilizando como exemplo o Scania R440, modelo mais vendido do Brasil, segundo a tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), em abril de 2011, um zero-quilômetro do modelo A 4×2 2 portas a diesel, custava R$ 364.067,00. Em abril de 2018, o preço era de R$ 226.576,00. Houve, portanto, depreciação de R$ 1.636,80 por mês.

Seguro

O seguro do caminhão (sem contar o da carga, que é obrigatório), fica em torno de 4% a 8% do valor venal (tabela Fipe). O prêmio, como é chamado o valor pago à seguradora, depende, no entanto, de vários fatores, como perfil do condutor, ano do modelo, quilometragem média rodada e plano de cobertura.

Impostos, taxas e outros

O caminhoneiro paga, durante toda sua vida profissional, uma série de taxas e impostos, seja em descontos no pagamento, seja como recolhimento e contratação obrigatórios.

Alguns exemplos são INSS, Imposto de Renda, contribuições sindicais, taxas veiculares (IPVA, DPVAT e Licenciamento), exames toxicológicos regulares e seguros para as cargas.

Então, é melhor ser caminhoneiro autônomo ou empregado?

Essa pergunta é difícil de ser respondida, pois diz respeito a escolha pessoal. O ideal é que você compreenda as diferenças entre uma modalidade e outra e faça sua opção.

Vejamos melhor o que cada uma delas oferece e exige.

Motorista empregado

O caminhoneiro empregado de uma empresa não precisa fazer o investimento em um caminhão, nem arcar com os custos de propriedade (como impostos, licenciamento e seguros). Também não precisa se preocupar em conseguir fretes e clientes.

Além disso, recebe um salário fixo, o que dá segurança em meses com pouca demanda de trabalho, e o contrato garante direitos como férias remuneradas, décimo terceiro salário, folgas semanais e licenças.

Porém, segundo a pesquisa da CNT, em 2015, os empregados — comparados com os autônomos — trabalhavam em média mais horas diárias e em mais dias por semana, com uma renda líquida menor (R$ 3.381,59).

Já o salário médio de admissão de um motorista de caminhão é, atualmente, R$ 1.769,00, segundo o Salariômetro da Fipe. Sobre esse valor, incidem os descontos trabalhistas.

Caminhoneiro autônomo

Para ser um caminhoneiro autônomo é preciso arrendar ou comprar um caminhão, investindo suas economias ou recorrendo a um financiamento. Depois, é preciso registrar-se como Transportador Autônomo de Cargas (TAC) junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Também deve controlar toda a documentação pessoal, do veículo, da mercadoria transportada e dos serviços prestados. Fora isso, há a necessidade de encontrar clientes, planejar as viagens e fazer o controle financeiro do seu negócio.

Entretanto, como autônomo, o profissional tem mais liberdade para administrar os próprios horários, não responde a um chefe e recebe por produção, podendo aumentar os rendimentos. Na pesquisa da CNT, a renda líquida média de um autônomo era de R$ 4.113,31.

Saber quanto custa ser caminhoneiro no Brasil é importantíssimo para quem está começando na profissão, pois só assim é possível decidir entre ser autônomo ou empregado. Afinal, as despesas são muitas e é preciso responsabilidade para tocar um negócio próprio. Por outro lado, mais liberdade e a possibilidade de aumentar os rendimentos podem compensar.

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