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Saiba qual a maneira correta de fazer a amarração de cargas

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Engana-se quem acredita que uma viagem segura depende apenas da forma como o motorista conduz o veículo ao longo do seu trajeto. Mais que dirigir com atenção e responsabilidade, um transporte livre de incidentes depende também de uma série de cuidados, muitos deles tomados antes mesmo de se iniciar a viagem. Um exemplo disso é a amarração de carga.

A amarração de carga é um procedimento fundamental para reforçar a segurança e qualidade do transporte. Sua principal função é garantir a fixação correta da carga na carroceria do caminhão, evitando deslocamentos indevidos que podem avariar os produtos ou, no pior dos casos, causar acidentes.

Diante da grande importância que a amarração de carga tem no contexto dos transportes rodoviários, preparamos este artigo para tratar melhor desse assunto. Quer saber mais? Continue a leitura e confira!

A amarração de carga e a sua importância

Na prática, a amarração nada mais é do que o procedimento de fixação da carga à carroceria do caminhão, mantendo-a estável e segura ao longo de toda a viagem.

Embora tenha um objetivo simples, a execução dessa tarefa requer muita atenção e cuidado por parte de motoristas e transportadoras, pois qualquer falha pode representar riscos à segurança e à integridade das mercadorias.

Quando os devidos cuidados e normas não são observados, a probabilidade de que a carga se movimente sobre a carroceria aumenta bastante. Em razão disso, avarias em embalagens, tombamento de produtos, desprendimento total da carga e até problemas mecânicos, decorrentes da má distribuição do peso na carroceria, são possíveis.

A legislação aplicável à amarração de carga

Nem todos os profissionais do ramo sabem, mas, assim como existem normas para a emissão de documentos de transporte de carga, existem normas específicas para a execução correta do procedimento de amarração, as quais são obrigatórias em todo o território nacional.

Recentemente, entrou em vigor a Resolução nº 676/17, alterando a Resolução nº 552, do CONTRAN e trazendo uma série de mudanças importantes em relação à amarração de carga. Conhecer e entender essas mudanças é primordial para um transporte seguro.

A seguir, veja o que mudou:

  • proibição das cordas para amarração: embora as cordas ainda possam ser utilizadas nos transportes, agora elas só podem ser empregadas para fixar a lona que vai sobre a carga e não a carga em si;
  • definição dos pontos de amarração: com a entrada em vigor da norma citada, fica proibida a fixação das amarras em peças de madeira ou de metal que, por sua vez, estejam fixadas às partes de madeira da carroceria;
  • utilização de cintas têxteis e cabos de aço: com a proibição do uso de cordas na fixação da carga, passa a ser exigido o uso de cintas têxteis, cabos de aço e correntes que apresentem uma resistência mínima correspondente ao dobro do peso da carga;
  • equipamentos como barras de contenção, malhas, trilhos e separadores de carga podem ser empregados como dispositivos adicionais de segurança, não sendo itens obrigatórios;
  • a amarração de cargas indivisíveis, como máquinas e grandes equipamentos, passam a requerer amarrações especiais. Para esse tipo de transporte, a Resolução nº 552 prevê a utilização mínima de quatro pontos de amarração, além da utilização de cintas têxteis, cabos de aço, correntes ou a combinação desses itens para o transporte;
  • para o transporte de cargas secas, como grãos, se o material preencher toda a carroceria, a amarração deverá ser realizada externamente;
  • os veículos que já estavam em circulação tiveram até o dia 1º de janeiro de 2018 para se adaptarem às regras. Ou seja, a Resolução em questão já está em vigor.

Principais tipos de amarração

Diferentemente do que muitos podem acreditar, a amarração de carga não é feita de qualquer forma. Na realidade, esse é um procedimento técnico, que deve ser adequadamente realizado, observados diversas variáveis físicas, como tamanho, peso, volume e formato da carga.

Na prática, existem diferentes amarrações. Cada uma delas tem suas características e é mais indicada para determinados tipos de carga. A seguir, conheça algumas delas!

Fixação envolvente (tie-down)

Nesse tipo de amarração, aumenta-se o torque nos cabos e cintas, fazendo com que a carga seja forçada contra o piso da carroceria. Dessa forma, o atrito do objeto com o piso aumenta e ele fica mais resistente ao deslizamento

Fixação direta em contenedores específicos

Aqui, a carga é retida com a própria estrutura da carroceria. É o que acontece com tanques e carrocerias basculantes, por exemplo. Quando se diz que os contenedores são específicos, é pelo fato de serem fabricados para atenderem a necessidades determinadas.

Fixação direta com o uso de bloqueadores

Essa é uma modalidade de amarração bastante comum na prática. Nela, a fixação da carga é feita diretamente na carroceria do veículo, seja no painel dianteiro ou traseiro, seja pelas grades laterais.

Fixação direta com dispositivos de fixação

Esse o tipo de amarração fixa a carga na estrutura do caminhão ou na sua carroceria a partir do uso de ganchos fixados no chassi com cintas, cabos de aço, catracas ou outros dispositivos semelhantes.

Esse tipo de amarração é muito utilizado para a fixação de máquinas e blocos de materiais pesados. É importante destacar que a carroceria do veículo precisa estar preparada para esse tipo de amarração, já que os pontos de apoio precisam suportar uma alta carga.

3 cuidados importantes

Como dito, a amarração de carga não está associada apenas à qualidade dos transportes, mas principalmente à segurança dessa atividade. Assim, erros ou negligência no procedimento representam sérios riscos à carga, ao motorista e aos demais condutores nas rodovias.

Por essa razão, é essencial agir preventivamente, adotando algumas medidas para tornar a amarração de carga ainda mais segura. A seguir, listamos 3 dicas que podem ajudar. Confira!

1. Conheça os tipos de amarração

O primeiro cuidado a se tomar para fazer uma boa amarração de carga é conhecer bem os diferentes tipos existentes. Esse é um ponto importante, já que um mesmo caminhão pode transportar mercadorias com características diferentes de peso, tamanho e fragilidade, por exemplo, exigindo amarrações específicas para cada situação.

Desse modo, motoristas e empresas de transporte devem ter um bom domínio sobre as amarrações, afinal, é responsabilidade deles garantir a segurança e a integridade da carga durante todo o processo de transporte.

2. Utilize os equipamentos adequados

A amarração de carga realizada atualmente é bastante diferente daquela feita no passado. Hoje, tanto as carrocerias dos caminhões quanto os equipamentos utilizados na amarração estão mais modernos, conferindo agilidade e segurança ao processo.

Nesse sentido, outra dica é sempre buscar equipamentos adequados para cada tipo de amarração. Aqui, é importante que haja uma preocupação não apenas com a utilização de dispositivos próprios — como cintas, ganchos, grampos etc. —, mas também com a procedência e a qualidade deles.

3. Atente-se ao modelo da carroceria

Além dos quesitos já citados, é muito importante se atentar ao fato de que cada tipo de carroceria demandará a fixação da carga de uma maneira diferente. Vale lembrar, por exemplo, que existem carrocerias que não contam com fixadores laterais para ganchos ou não apresentam a rigidez necessária para amarrar determinadas cargas. Nesses casos, a fixação poderá ser feita diretamente no chassi, utilizando-se dos equipamentos adequados.

Por fim, é necessário ter consciência de que a amarração de carga é um fator diretamente associado à qualidade dos processos logísticos. Afinal, estamos falando de uma medida que contribui para a preservação da integridade das mercadorias transportadas.

Além disso, a amarração de carga é um procedimento com implicações legais, diretamente ligado à segurança dos transportes. Nesse sentido, estar atendo às normas e cumpri-las com rigor é dever de motoristas e transportadoras.

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