Todo motorista sabe que ficar com o caminhão parado para carga e descarga é um prejuízo. Mas, afinal, quais custos esse tipo de situação pode gerar?Muitos profissionais sequer fazem o cálculo do custo do caminhão parado e desconhecem o que diz a lei sobre o assunto. Aliás, a nossa legislação protege o caminhoneiro e diz que ele deve ser ressarcido de prejuízos.

A seguir, você conhecerá os principais custos de um caminhão parado, aprenderá a fazer esse cálculo e, claro, ficará informado sobre seus direitos.

Ficou curioso? Continue com a leitura!

Caminhão parado: como isso pode prejudicá-lo?

A longa fila de espera para o descarregamento dos veículos é uma cena comum no cotidiano de um motorista profissional. Quem atua no transporte de cargas sabe que essa situação gera inúmeros problemas e custos e, quase sempre, é inevitável.

Em geral, quanto maior é o tempo de espera na fila, maior será o valor do frete. Isso acontece porque deixar o caminhão parado gera custos ao prestador de serviços e ainda pode acarretar a necessidade de realizar horas extras para cumprir com o contrato.

Por isso, é essencial que o caminhoneiro aprenda a agir nessas situações e saiba como minimizar seus prejuízos. Mais do que isso, ele precisa conhecer e entender como a lei trata desse assunto e pode beneficiá-lo.

Quais os maiores custos de um veículo parado?

Conforme mencionado, ter um caminhão parado é sinônimo de prejuízos para o transportador. Afinal, trata-se de um veículo improdutivo, aguardando a liberação para gerar lucro ao proprietário.

Porém, grande parte dos caminhoneiros não sabe definir com exatidão qual é o tamanho da perda quando esse tipo de situação extrapola os limites. Imagine ficar mais de 5 horas parado em um ponto de descarga. Você sabe dizer quais custos isso geraria?

Em geral, temos um aumento dos custos fixos — aqueles que não variam de acordo com o número de viagens realizadas — e do desgaste do caminhão. Além disso, há a perda de oportunidades, isto é, o veículo deixa de realizar novas viagens e, portanto, tem seu lucro reduzido.

Soma-se a isso o custo de diária para o motorista, já que, com o veículo parado, é necessário providenciar estadia e alimentação, por exemplo.

Por último, é preciso enfatizar que o atraso exagerado para carga e descarga pode acarretar prejuízos para as viagens subsequentes. É possível que a demora faça com que o contrato seguinte não seja cumprido no prazo acordado e que a rota a ser realizada precise ser alterada.

Por quanto tempo um caminhão pode ficar parado?

Sempre que você firmar um contrato de frete, deve incluir o tempo aceito para os processos de carga descarga. Essa prática simples evita problemas e desentendimentos e, ainda, favorece a eficiência e qualidade do seu trabalho.

Para determinar o prazo ideal dessas operações, leva-se em consideração o apoio de um ajudante. Sempre que houver mais de um indivíduo nessa função, o peso por minuto deverá ser ampliado de maneira proporcional. Veja:

  • carregamento de carga paletizada — 1 hora e 30 minutos;
  • descarregamento de carga paletizada — 1 hora e 30 minutos;
  • carregamento de carga não paletizada — 3 horas;
  • descarregamento de carga não paletizada — 3 horas.

É aconselhável que você guarde a documentação que comprova o horário de chegada e saída para a operação de carga e descarga. Dessa maneira, caso o tempo seja extrapolado, você poderá exigir o ressarcimento dos prejuízos.

Como definir o custo de um caminhão parado?

Conforme dito, o ressarcimento desse prejuízo é uma garantia expressa em lei. Porém, a legislação não informa o valor dessa taxa e, por isso, é sua responsabilidade levantar os gastos e efetuar o cálculo de maneira adequada.

Para tornar o cálculo mais simples, 3 fatores que geram custos devem ser levados em consideração e fazem parte de uma fórmula simples:

CFM : 230 x 0,8 = CHP

Observe o que significa cada um desses termos:

  • CHP — custo da hora parada;
  • CFM — custo fixo mensal do caminhão (manutenções e seguro, por exemplo);
  • 230 — número de horas trabalhadas pelo caminhão em um mês;
  • 0,8 — taxa de remuneração do serviço determinada pelo caminhoneiro (custos com o ajudante, por exemplo)

Observe que, para definir o custo de um caminhão parado, é necessário que você conheça o seu custo fixo mensal. Via de regra, caso algum dado seja ignorado, as chances de sofrer prejuízos são grandes, afinal, você estará levando em consideração um valor que não condiz com a realidade.

O que diz a lei sobre o assunto?

O ideal é que o próprio contrato de frete estipule o tempo máximo em que um caminhão poderá ficar parado. No entanto, caso isso não ocorra, a Lei 11.442/07, alterada pela Lei 13.103/15, estipula o valor por tonelada/hora e define que o prazo máximo é de 5 horas.

Assim sendo, a contar da chegada do caminhão ao endereço, começa a correr o prazo de 5 horas para a finalização da operação de descarga. Caso o processo não seja executado dentro desse limite, será devida a quantia de R$ 1,38 (um real e trinta e oito centavos) por tonelada/hora.

Obviamente, esse valor não é fixo. Todos os anos ele é atualizado, levando-se em consideração a variação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).

Além disso, é interessante mencionar que a Lei determina que o embarcador e o destinatário devem fornecer ao transportador um documento que comprove o horário em que o caminhão chegou e saiu de suas dependências.

Caso a norma não seja cumprida, haverá a imposição de multa pela ANTT, que poderá chegar até 5% do valor da carga. Ou seja, a legislação protege o transportador e permite que ele consiga provar o seu direito ao adicional pelo tempo em que o caminhão ficou parado.

Conseguiu entender os prejuízos de se ter um caminhão parado? Apesar de ser uma situação comum e, muitas vezes, inevitável, o caminhoneiro precisa conhecer seus direitos e aprender a definir qual o custo desse problema.

Conforme apresentado, a lei brasileira protege esses profissionais e oferece mecanismos para que eles sejam ressarcidos de suas perdas. Porém, para saber como se portar e realizar esse cálculo, você precisa se manter sempre informado. Esperamos que este post tenha ajudado e contribua para a redução de seus prejuízos nas próximas viagens.

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