Caminhões, assim como os outros veículos pesados de carga, são o principal instrumento de trabalho e fonte de renda para muitos caminhoneiros e motoristas. Por isso, eles não podem ficar parados por problemas mecânicos ou apreensões pela fiscalização. E esse é somente um dos motivos pelos quais a manutenção de caminhão e outros veículos pesados é tão importante.

São verdadeiras máquinas que transportam cargas elevadas e trabalham por várias horas ininterruptas. Para tanto, têm uma mecânica complexa e cada detalhe conta para seu bom funcionamento. Além disso, por causa das condições de nosso país, muitos veículos rodam milhares de quilômetros, durante dias, por rodovias e estradas mal conservadas.

Isso tudo exige demais dos caminhões e um problema no meio de uma viagem pode significar um grande prejuízo, tanto pelo reparo necessário quanto pelo frete prejudicado e os dias de trabalho parados — fora o perigo maior de acidentes.

Esses dados impressionam e deixam evidente a importância da manutenção preventiva do caminhão. Vamos entender mais a fundo essa questão e desvendar alguns mitos famosos desse trabalho:

A importância de cuidar da manutenção de caminhão

Fazer uma manutenção preventiva no caminhão faz com que o proprietário economize direta e indiretamente. Segundo estudo realizado pelo Instituto da Qualidade Automotiva (IQA), o custo de realizar revisões de prevenção é de 30% a 40% menor do que o gasto com reparos posteriores que se tornem necessários.

Além disso, ser pego com o veículo em mau estado de conservação é considerado infração grave pelo Código de Trânsito Brasileiro, rende multa ao motorista, pontos na carteira de habilitação e, dependendo do item danificado, pode levar à apreensão do caminhão.

Assim, qualquer uma das duas hipóteses anteriores representa gastos desnecessários diretos do proprietário com seu veículo. Mas deve-se, ainda, contabilizar o prejuízo dos dias parados, da carga que não será entregue, dos clientes perdidos, etc. Esses custos indiretos são mais difíceis de calcular, mas são os que mais pesam na renda.

Manutenção previne acidentes

Mas não é só o prejuízo financeiro que conta. Segundo levantamentos, a falta de manutenção preventiva é a causa de 30% dos acidentes de trânsito no Brasil, que mata mais de 50 mil pessoas por ano.

Ou seja, o risco de morte ou lesão grave não pode ser ignorado. Além do prejuízo financeiro e material que um acidente de trânsito pode trazer ao danificar o caminhão, é possível que o motorista se torne inapto para a função por um longo período ou de forma permanente.

A maneira mais eficaz de diminuir esses riscos é com a realização de manutenções preventivas de tempos em tempos, garantindo que a mecânica do veículo, bem como todos os itens de segurança, estejam funcionando em perfeitas condições.

Por isso, é importante saber como fazer suas revisões e manutenções corretamente e realizá-las periodicamente.

Boas práticas e recomendações para manutenção de caminhão

Como a mecânica dos caminhões e veículos pesados é mais complexa que a de um automóvel de passeio comum, o ideal é que sejam levados a uma concessionária para que sejam feitas as revisões programadas.

Isso garantirá que o veículo seja inspecionado por especialistas e que as peças usadas sejam de marcas homologadas pela montadora, as chamadas peças originais. Essas marcas são aprovadas pelo fabricante do veículo por possuírem padrões de qualidade dos materiais, parâmetros de funcionamento e durabilidade atestados.

Mas há também certas medidas que podem (e devem) ser adotadas pelos motoristas e proprietários, principalmente em relação à observação de alterações no comportamento do veículo e verificação visual de componentes. Veja abaixo algumas dicas de boas práticas e recomendações para a manutenção periódica do caminhão:

Verifique os pneus

Itens importantíssimos para a segurança do caminhão, os pneus devem ser verificados sempre, buscando por danos que possam ter ocorrido durante a viagem. Lascas na borracha ou desbastamento acentuado exigem atenção, já que aumentam a probabilidade de furos, rasgos e bolhas.

Também é preciso acompanhar o desgaste do pneu pelas ranhuras e indicadores de desgaste. Os sulcos da banda de rodagem devem ter uma profundidade mínima de 1,6mm em toda sua extensão. Assim, se em qualquer parte do pneu a altura dos indicadores (pequenos ressaltos no fundo das ranhuras) for atingida, ele deverá ser trocado.

Outro ponto a ser observado é a calibragem. Somente com a pressão correta, de acordo com as especificações do fabricante em relação à posição no caminhão e à carga transportada, os pneus renderão o máximo de sua eficiência. Além disso, ajuda na diminuição do consumo de combustível em até 15%.

Dessa forma, os estepes não podem ser esquecidos e devem ser conferidos e calibrados sempre, da mesma forma que os pneus em uso.

É recomendável, também, que o veículo seja periodicamente levado a uma oficina especializada para verificar se precisa de alinhamento e balanceamento e para realizar o rodízio dos pneus, prática que ajuda em sua conservação.

Troque os filtros periodicamente

O filtro de óleo do motor deve ser substituído a cada troca de óleo para que os detritos já filtrados por ele não prejudiquem a ação do óleo novo.

Já o filtro de ar do motor deve ser trocado conforme a especificação do fabricante. Porém, se o veículo estiver comumente em uso em condições mais extremas, como trânsito carregado, zona rural não pavimentada ou áreas de mineração, por exemplo, deve-se adiantar a troca.

O mesmo vale para o filtro de ar da cabine, importante para a saúde e o bem-estar do caminhoneiro.

Filtros de combustível devem ser trocados conforme as especificações da fabricante do produto ou da montadora do caminhão, o que vier primeiro. Geralmente, em torno de 15 mil quilômetros rodados.

Cheque o óleo do motor

Primeiramente, é importante estar sempre de olho no nível do óleo do motor por meio da verificação pela vareta. Se o nível estiver baixo e o produto estiver novo e em bom estado, pode-se apenas completar, utilizando o mesmo óleo que já está rodando no motor.

Para saber a condição do lubrificante, deve-se verificar se não há borras aparentes ou impurezas, como detritos metálicos que se soltam das partes móveis do motor. Se houver muita sujeira e a troca tiver sido recente, isso pode indicar problemas mecânicos.

De qualquer forma, é necessário trocar periodicamente o óleo lubrificante do motor seguindo as orientações de validade da montadora do caminhão. É essencial que se siga, também, as especificações quanto ao tipo de óleo e à viscosidade do produto a ser utilizado.

Preste atenção na fumaça do escape

Importante indicativo da condição de funcionamento do motor, a fumaça que sai pelo sistema de escape deve ser monitorada, inclusive porque pode render multa pelos órgãos de controle de emissão de poluentes.

A fumaça preta é um indicativo de que o combustível não está queimando corretamente, o que aumenta a emissão de carbono. Isso pode ocorrer devido a falhas no sistema de injeção de combustível do motor e causa gasto excessivo de combustível, diminuição da vida útil do motor, além de muita poluição.

Já a fumaça azulada é causada pela queima de óleo lubrificante junto com combustível. Isso pode levar à falta de lubrificação e, consequentemente, danos ao motor.

Ainda pode haver a emissão de fumaça na cor branca, que indica queima do líquido de arrefecimento. Ela é causada por falhas em vedações e juntas, que deixam a água passar. Com a evaporação desse líquido, o arrefecimento do motor fica prejudicado.

Em todo o caso, se o caminhão estiver apresentando fumaça de forma irregular, o veículo deve ser encostado o mais rápido possível para resolver o problema, que pode se transformar em um dano muito maior se for ignorado.

Confira faróis e sinalização

Todas as luzes do caminhão (piscas, luzes de freio, sinalização traseira e lateral, faróis baixos e altos, lanternas, etc.) devem ser conferidas antes de cada viagem. São itens de segurança obrigatórios e devem estar funcionando perfeitamente.

É necessário fazer a regulagem dos feixes de luz dos faróis a cada seis meses ou se perceber variação na iluminação. Sempre que for preciso a substituição de alguma lâmpada, ela deve ser feita aos pares para não haver diferença na luminosidade.

Faça revisão dos freios

É recomendável parar o caminhão e fazer uma revisão completa do sistema de frenagem a cada 15 ou 20 mil quilômetros rodados ou de acordo com indicação da montadora. É um serviço relativamente de baixo custo, visto a importância do item.

Enquanto isso, o caminhoneiro pode inspecionar o sistema, procurando por vazamentos, principal causa de problemas nos freios. Além disso, deve verificar o estado das lonas e tambores, e fazer a drenagem dos reservatórios de ar juntamente com a troca do filtro secador de ar conforme recomendações do fabricante, evitando o acúmulo de umidade no sistema e consequentemente a redução da vida útil das válvulas  pneumáticas. .

O sistema de freios é um dos itens mais críticos para a segurança das viagens, sendo que qualquer problema apresentado pode ocasionar um acidente grave. Por isso, substitua sempre os componentes desgastados por peças originais.

Verifique as condições do escapamento

Trepidações do uso cotidiano do caminhão e solavancos causados por buracos ou irregularidades na pista podem ocasionar desgaste nas junções do sistema de escape de gases do veículo.

Assim, sempre que possível ou quando perceber barulhos diferentes, é preciso verificar o estado das peças que compõem o sistema, se estão encaixadas e presas, se os suportes estão inteiros e se não há trincas.

Ainda, é importante notar se não há corrosão e ferrugem na parte de fora. Se houver, atente-se para o fato de que ela pode estar entrando no escapamento.

Dê atenção aos acoplamentos

Se ao arrancar ou frear o veículo for percebido um tranco vindo da parte traseira, pode ser sinal de problemas na quinta roda. Esse item deve ser sempre verificado, pois é essencial para a segurança da carga e, consequentemente, de toda a composição.

Aconselha-se a limpeza e o engraxamento das ranhuras da quinta roda sempre que houver troca de implemento. Também deve-se verificar se não há folgas e o estado de conservação do bloco, da barra e da garra de travamento, do pino-rei e do disco de fricção.

Cuide da embreagem

Alguns hábitos ruins dos motoristas contribuem para a diminuição da vida útil da embreagem, como descansar o pé apoiado sobre o pedal, arrancar sem usar a primeira marcha, utilizar marchas muito altas em velocidades baixas, transportar peso acima do indicado, entre outros.

Sempre que o veículo apresentar trepidações no pedal da embreagem, dificuldade ou barulho na troca de marchas é preciso levá-lo para uma revisão do kit de embreagem.

Revise a suspensão

Verificar sempre se há folgas nos componentes, se os parafusos estão apertados, se os pinos estão lubrificados e o estado de conservação das peças de desgaste, como coxins e batentes, das molas, da barra estabilizadora, enfim, de todo o sistema.

Se a suspensão for a ar, deve-se fazer revisões periódicas para checar as condições das buchas, balancins e pinos para saber se não há vazamentos de ar, se as mangueiras estão em bom estado e se as válvulas precisam ser limpas.

Troque as paletas do limpador

Muitas vezes negligenciadas, as paletas do limpador do para-brisa são um item de segurança relativamente barato e de fácil manutenção, mas extremamente importantes. Devem ser trocadas todo ano, pelo menos, já que ressecam nos períodos de pouca chuva.

Para checá-las, basta molhar bem o para-brisa e verificar se estão limpando corretamente o vidro, sem deixar rastros de sujeira ou fios de água.

Verifique e teste o sistema elétrico

A verificação dos componentes do sistema elétrico passa pela inspeção visual em busca de oxidação, ressecamento dos chicotes ou peças mal encaixadas.

Além disso, é importante fazer testes periódicos de tensão e corrente em uma concessionária de veículos pesados para saber se os aparelhos, que muitas vezes são adicionados ao veículo (como televisores, rádios, GPS, etc.), estão de acordo com a capacidade do sistema.

Esses são alguns dos principais cuidados com o caminhão que todo proprietário deve ter para mantê-lo rodando sem problemas por longas quilometragens. Mas também é importante que alguns mitos que correm as estradas sobre bons cuidados com o veículo sejam esclarecidos, pois podem fazer mais mal do que bem. Confira!

7 mitos e verdades sobre a manutenção de caminhão

Abaixo separamos algumas lendas sobre a manutenção de caminhões que, em vez de ajudarem na conservação do veículo e na economia para o caminhoneiro, acabam trazendo mais riscos e forçando mais os componentes mecânicos. Vejamos:

Dirigir em ponto morto economiza combustível

Na verdade, acontece o contrário. Com os motores equipados com injeção eletrônica, utilizar o freio motor, ou seja, deixar o caminhão engatado em um declive, faz com que a injeção de combustível seja completamente suspensa, pois o sistema consegue fazer a leitura de que o motor está girando sem precisar de combustível.

Se for colocado em ponto morto, o módulo da injeção não tem como entender isso, deixando o motor funcionar por meio da contínua alimentação, ainda que sem acelerar.

Fora isso, descer ladeiras em ponto morto faz com que o freio motor seja dispensado. Assim, há uma exigência muito maior sobre o sistema de frenagem, aumentando o gasto das lonas e tambores.

Essa prática é extremamente perigosa, pois o controle do veículo é menor e pode gerar, ainda, um superaquecimento dos freios, que vão falhar.

O motor precisa ser aquecido

Muitos caminhoneiros, após darem a partida, esperam alguns minutos antes de arrancarem. A explicação é de que o motor precisa aquecer para funcionar de maneira correta. No entanto, essa prática não tem sentido nos caminhões atuais, providos de sistema de injeção eletrônica.

Isso porque o módulo da injeção já faz o papel de dosar o abastecimento do motor e a queima do combustível no tempo necessário. Além disso, as novas tecnologias dos óleos lubrificantes já preveem uma diferença de temperatura dos motores e são preparados para que não haja mudança significativa no seu desempenho.

A válvula termostática atrapalha o funcionamento do motor

No começo do uso da tecnologia das válvulas termostáticas, elas davam bastante problema e acabavam atrapalhando os caminhoneiros, que tinham que parar para verificá-las. Mas hoje em dia isso já virou um mito.

A válvula termostática trabalha dividindo a água entre o motor e o radiador. Quando o motor está frio e precisa aquecer, o líquido de arrefecimento permanece rodando somente nele para esquentar mais rápido. Quando sua temperatura se eleva e exige controle, a válvula libera para que a água se resfrie no radiador e volte para o motor, esfriando-o conforme a necessidade.

Portanto, retirar a válvula fará com que não haja uma divisão correta do líquido de arrefecimento entre o motor e o radiador. Dessa forma, ela rodará todo o sistema da mesma forma, independentemente das condições de temperatura do veículo.

Assim, haverá uma demora maior para aquecer o motor ao ligá-lo e, quando muito exigido, poderá superaquecer.

O aditivo da água do radiador não é necessário

Muitos caminhoneiros acreditam nisso, mas não é verdade. O aditivo trabalha para que a água do sistema de arrefecimento não entre em ebulição ou congele (a depender do clima extremo) com tanta facilidade.

Além disso, o aditivo evita a corrosão dos componentes do motor e a formação de ferrugem por onde a água passa, aumentando a vida útil deles. Assim, sempre que for colocar água no sistema, é importante que se coloque a quantidade de aditivo recomendada pelo fabricante, também.

Óleo de mamona evita corrosão do chassi

Essa prática é utilizada para proteger o chassi, mas pode acabar causando mais desgaste. Isso porque o óleo de mamona acaba agindo como aderente para sujeiras e detritos, esses realmente prejudiciais aos componentes do veículo.

Outro bom motivo para não adotar essa prática é que o óleo de mamona ajuda a ressecar partes plásticas e componentes de borracha, como mangueiras e vedações.

Acelerar ao ligar ajuda o motor

Novamente, essa prática está ligada aos antigos motores carburados (motor a gasolina), que quando ainda frios, podiam falhar e morrer. Com o advento da injeção eletrônica essa prática se tornou inútil e pode causar problemas.

Além de gastar combustível sem necessidade, acelerar o motor logo quando é ligado faz com que pistões trabalhem mais rápido do que o normal nos cilindros, necessitando de maior lubrificação. Isso bem quando a bomba de óleo está iniciando seu trabalho. Ou seja, exige mais de um motor com pouca lubrificação, ocasionando maior atrito e um desgaste desnecessário.

Ao desligar, é bom dar uma acelerada antes

O mito vem da crença de que a aceleração antes de desligar o motor injetaria combustível nele e faria com que o óleo lubrificante ficasse parado em suas partes móveis, o que posteriormente facilitaria a partida. Mas não é verdade.

O que acontece na realidade é o contrário. Como a turbina do motor é acionada na aceleração e só para pela inércia, é necessário um tempo para que ela deixe de girar. No entanto, ao desligar o motor, o óleo é cortado, fazendo com que ela continue girando sem lubrificação.

Isso pode causar danos e desgaste acentuado à turbina, que precisará ser substituída em pouco tempo. E o valor dessa troca pode assustar, facilmente ultrapassando a casa dos quatro dígitos.

Além disso, o óleo que está no motor, após ser desligado, desce para as partes mais baixas, não sendo utilizado depois em uma eventual partida.

Conclusão

Como vimos, a manutenção preventiva é extremamente vantajosa para caminhoneiros e proprietários de veículos pesados, pois diminui os custos com consertos e reparos em mais de 30%. Além disso, evita que o caminhão fique parado por quebras inesperadas ou por conta de apreensões em fiscalizações evitando, também, gastos com multas.

Mas não é só isso. Hábitos corretos com manutenção e cuidados com o veículo aumentam a segurança das viagens, deixando o trânsito mais seguro, protegendo as cargas e, principalmente, o bem mais precioso que um caminhão leva: a vida de seu condutor.

Assim, seguir nossa lista de checagem, utilizar somente peças originais recomendadas pelas montadoras dos veículos e deixar de lado hábitos nocivos, originados de mitos que circulam pelas estradas, são atitudes essenciais para o aumento da renda do caminhoneiro e também para sua saúde e bem-estar.

Portanto, não economize na manutenção de caminhão. Ela é essencial para mantê-lo rodando em segurança e com eficiência. Dessa forma, o que é gasto retorna em lucro com cargas entregues em dia e economia em combustível e em consertos.

O que achou de nossas dicas? Ficou alguma dúvida? Escreva pra gente nos comentários!